Santas Casas de Almada, Amares, Barcelos e Trancoso foram distinguidas no Prémio BPI Fundação La Caixa Infância com projetos de apoio escolar, capacitação familiar, contacto com a natureza e regulação emocional

As Misericórdias de Almada, Amares, Barcelos e Trancoso foram distinguidas na 8.ª edição do Prémio BPI Fundação La Caixa Infância, com iniciativas que cobrem desde o apoio escolar e capacitação familiar até ao contacto com a natureza e regulação emocional. Em 2026, foram apoiados 32 projetos que promovem a igualdade de oportunidades e o combate ao insucesso escolar e à exclusão social junto de oito mil crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

Em Almada, o Espaço Casulo incide a intervenção na Trafaria, onde convivem vulnerabilidades como a pobreza transgeracional, a precariedade habitacional e um contexto escolar marcado por absentismo, barreiras linguísticas e falta de respostas de ocupação de tempos livres.

A iniciativa estrutura-se em cinco eixos: ocupação de tempos livres, apoio ao estudo, inclusão digital das famílias, promoção da saúde (grupos terapêuticos, consultas de psicologia, sessões de higiene e alimentação saudável) e consolidação de uma rede local de parceiros.

No final de outubro, o Espaço Casulo abriu portas e recebia as primeiras inscrições, almejando “criar relações de confiança e ser um espaço de pertença para as crianças e jovens da Trafaria”, segundo a coordenadora Sara Alves, adiantando que “a implementação será gradual, até outubro de 2028, procurando chegar a 100 crianças e jovens”.

Em Amares, o projeto “Brincar na natureza” prevê abranger 242 crianças e jovens, que frequentam creche, jardim de infância, centro de atividades de tempos livres e centro de estudos, valorizando a liberdade para explorar, correr, mexer na terra e interagir com elementos naturais. Inspirada na metodologia Forest School, a Santa Casa pretende criar um espaço de contacto com a natureza, “visando o desenvolvimento de competências motoras, emocionais e sociais”, referiu a coordenadora técnica das valências de infância.

De acordo com Vanessa Neves, o objetivo é “ser um recurso complementar ao trabalho pedagógico em sala de aula e um espaço para atividades com as famílias, como palestras e espetáculos”, sendo que, neste momento, o terreno está a ser preparado para acolher as crianças e famílias, enquanto decorre a auscultação de parceiros com experiência nesta metodologia de ensino, e a capacitação de educadoras e auxiliares.

Também no distrito de Braga, a Misericórdia de Barcelos foi reconhecida com o projeto “Fora da Caixa 2.0 – Laboratórios Transformadores”, centrado na promoção da saúde mental e na prevenção de dificuldades de aprendizagem em creche e pré-escolar. Nesta segunda versão do projeto premiado em 2023, a intervenção envolve o acompanhamento psicológico, formação de agentes educativos, criação de uma plataforma digital e capacitação em práticas parentais positivas.

Para o provedor Nuno Reis, “voltarmos a ser agraciados é algo de notável e que gostaria de dedicar a cada uma das pessoas que, ao longo destes anos, têm sabido inovar, percebendo a importância de fazermos bem as coisas boas".

Por sua vez, a Misericórdia de Trancoso viu distinguido o projeto "Crescer com Calma – Autorregulação na infância, família no centro", que abrange 124 crianças da creche e do jardim de infância e respetivas famílias, além do acompanhamento intensivo a 15 famílias.

A iniciativa introduz rotinas de regulação emocional e a criação do "Cantinho da calma", reduzindo a frustração das crianças e minimizando o impacto do uso de ecrãs em casa. As famílias são envolvidas, desde o primeiro mês, através de ações de sensibilização e encontros dedicados ao sono, uso de ecrãs e definição de limites. Segundo a diretora do infantário, Lúcia Campos, o modelo “foi pensado para ser simples e de custo reduzido, sendo facilmente replicável, e, no final, a equipa educativa sai capacitada”.

Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas