Na Misericórdia de Penamacor, o Presidente da República afirmou que inaugurar uma creche no interior ‘é um ato de confiança no futuro’

O Presidente da República inaugurou, em Penamacor, a nova creche da Santa Casa da Misericórdia. No regresso à terra natal, António José Seguro salientou o simbolismo deste investimento: “Inaugurar uma creche numa terra do interior não é um ato administrativo, é um ato de confiança no futuro”.

A Creche Nossa Senhora da Conceição vem duplicar a capacidade, de 25 para 50 lugares, dando resposta à procura e condições às famílias que ficam ou escolheram o concelho para viver e procuram “uma creche onde possam deixar os seus filhos em segurança e com confiança”, disse o provedor da instituição, João Cunha.

Um investimento de cerca de um milhão de euros, apoiado em 348 mil euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e 345 mil pela Câmara Municipal de Penamacor. Para o presidente do município, José Miguel Oliveira, apoiar este projeto não foi apenas apoiar a Santa Casa da Misericórdia, foi “apoiar as famílias de Penamacor, ajudar as mães e os pais do nosso concelho, criar melhores condições para quem cá vive, para quem aqui trabalha e para quem aqui quer construir o seu projeto de vida”.

O autarca elogiou a capacidade de a Misericórdia de Penamacor estar presente na vida da comunidade. “Uma instituição com uma história longa, cuja missão continua assente no apoio às pessoas e aos mais vulneráveis”, acompanhando “a nossa comunidade em diferentes momentos das suas vidas”, acrescentou José Miguel Oliveira, numa referência às diferentes respostas sociais de que dispõe a instituição.

Segundo o provedor, entre creche, pré-escolar, centro de atividades de tempos livres e apoio domiciliário, a Misericórdia de Penamacor presta apoio a 140 utentes. São “140 famílias que todos os dias confiam em nós o que têm de mais precioso”.

João Cunha não escondeu o “orgulho enorme para esta instituição e para todo o concelho” de ter um filho da terra “a ocupar o mais alto cargo da nação e que faça questão de estar aqui, hoje, connosco a inaugurar esta obra”.

Uma obra que nasceu da vontade da comunidade, sublinhou António José Seguro. “Respostas sociais assim, construídas em proximidade com quem delas precisa, chegam mais longe e servem melhor, é essa a herança das Misericórdias, é essa a força da sociedade civil portuguesa e é essa a herança que o país deve proteger.”

Uma obra que ganha um outro significado numa terra onde o tempo não se mede apenas pelos sinos da igreja: “Em Penamacor, mede-se também pelo silêncio das suas ruas”. Diferentes das do seu tempo, em que “se enchiam de brincadeiras”.

Mas hoje a realidade inverteu-se. No oitavo concelho do país com menor densidade populacional, existem cerca de cinco pessoas com mais de 65 anos por cada criança com menos de 15. Um cenário traçado por António José Seguro que só não é pior “graças a quem resiste, a quem aqui vive, a quem veio e a quem decidiu ficar”, acrescentou.

Para o Presidente da República, é necessário que à resistência se juntem “oportunidades para que os sonhos de quem vive no interior possam ser concretizados”. Se é verdade que a Constituição Portuguesa diz que todos os cidadãos são iguais, “também é verdade que o investimento público muitas das vezes se esquece do interior de Portugal”, lamentou o chefe de Estado, acrescentando que “um país que deixa esvaziar metade do seu território, não fica mais leve, fica mais pobre, mais desigual e mais frágil, cada aldeia que fecha é uma parte de Portugal que se perde”.

Voz das Misericórdias, Paulas Brito Batista

Fotografia de Miguel Figueiredo Lopes / Presidência da República