Misericórdia da Covilhã transformou antigo hospital em estrutura residencial para pessoas idosas. O resultado é um edifício que o provedor classifica de moderno.

A Santa Casa da Misericórdia da Covilhã transformou o antigo hospital em estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI). A obra, apoiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em 2,3 milhões de euros, permitiu transformar o velho hospital da Covilhã, propriedade da instituição, num “moderno e inteligente” edifício, com capacidade para 74 camas.

Para além dos 2,3 milhões de euros do PRR, a Misericórdia da Covilhã investiu um montante equivalente. O resultado é um edifício que o provedor da instituição, José Neto Freire, classifica de inteligente, em vários aspetos.

Desde logo na climatização, que permite “ter os equipamentos desligados e a temperatura bastante amena”, na iluminação, que “acende e desliga à nossa passagem, sem interruptores”, além dos 600 painéis fotovoltaicos que permitem não só a autonomia energética do edifício, como também “produzir energia elétrica para outras respostas”.

Um edifício construído a pensar no conforto dos seus utentes, mas também dos trabalhadores, quer na escolha dos materiais, quer dos equipamentos. José Neto Freire dá um exemplo: “As cadeiras do refeitório que, para que o colaborador não faça tanto esforço, têm umas rodinhas para se moverem de forma automática”.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã diz que na base deste projeto esteve “a preocupação de criar um edifício moderno, dentro de uma instituição que já é muito antiga, mas com um pensamento bastante moderno e inovador”.

Uma inovação que chega também à tecnologia. A nova ERPI dispõe de um sistema que lhe permite criar o historial do utente e, em tempo real, “ter a informação daquilo que está a acontecer ao idoso, quando é limpo, quando come, quando toma os comprimidos”.

O edifício está ainda dividido por cores. No piso zero, de cor azul, funcionam os serviços administrativos, receção e gabinetes de apoio. No piso 1, de cor verde, além de uma ala de quartos, existe outra com o refeitório e sala de atividades. No piso 2 existem quartos, todos com casa de banho privativa, TV, Wi-Fi e decoração com as cores do piso, no caso, uma ala amarela e outra cor de laranja.

“As cores são para identificar as zonas com mais mobilidade, tem a ver com a qualidade de vida do utente, bem como com o nosso funcionamento na distribuição dos recursos humanos”, explicou o provedor.

O edifício, simbólico para a Covilhã e para a região — já que foi ali que funcionou durante mais de meio século o hospital distrital —, foi inaugurado em outubro, no âmbito das comemorações dos 156 anos da elevação da Covilhã a cidade.

A dar os primeiros passos como ERPI, já tem afetos 30 trabalhadores diretos, sendo que, quando estiver a funcionar em pleno, vai precisar de, pelo menos, mais 30.

Com a abertura desta ERPI, a Misericórdia da Covilhã aumenta para 200 a sua capacidade de acolhimento em ERPI, já que na última década recuperou e aumentou a capacidade do lar mais antigo, que funciona no mesmo campus. É lá que se encontra também o centro de saúde e bem-estar e a administração da Misericórdia.

O provedor já tem em carteira os dois projetos que vão completar a reconstrução deste campus: lar residencial e centro de atividades e capacitação para a inclusão (CACI) para pessoas com deficiência ou incapacidade, a partir da recuperação do antigo edifício de saúde mental, e um hotel social no edifício da antiga cantina.

Criada em 1577, a Misericórdia da Covilhã acompanha diariamente perto de 700 pessoas.

Voz das Misericórdias, Paula Brito Batista