Financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, a nova infraestrutura visa proporcionar mais qualidade de vida, conforto e acompanhamento aos residentes

O Complexo Social de Santa Clara, da Santa Casa da Misericórdia do Funchal, nasce como uma resposta inovadora às necessidades da população idosa da Madeira, reunindo cuidados residenciais, apoio social, saúde e promoção de um envelhecimento mais ativo. Com um investimento de cerca de 13,3 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a nova estrutura entra em funcionamento com o objetivo de proporcionar mais qualidade de vida, conforto e acompanhamento aos residentes.

O novo complexo, inaugurado no dia 27 de julho, disponibiliza 115 vagas de apoio a idosos. Destas, 65 representam novas respostas, 20 à remodelação de lugares já existentes na estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI) e 30 ao centro de dia. A ERPI está instalada num edifício de cinco pisos, com 51 quartos, sendo 33 duplos e 18 individuais, pensados para oferecer condições de segurança e bem-estar.

Uma das principais novidades deste projeto é a criação de cinco residências assistidas, uma resposta inédita na Madeira. Trata- -se de apartamentos T1 destinados a casais ou pessoas com mais de 60 anos que desejem manter a autonomia, sem deixar de contar com os serviços da Misericórdia do Funchal.

Outra das apostas diferenciadoras é o Centro Integrado para a Longevidade Ativa, concebido para ajudar os idosos a manter as capacidades físicas e cognitivas durante mais tempo. O espaço inclui programas de estimulação cognitiva e motora, piscina terapêutica, tanque de hidrorreabilitação, gabinetes de fisioterapia e uma sala Snoezelen, um equipamento sensorial que, segundo o provedor Jorge Spínola, é utilizado pela primeira vez, na região, na área da geriatria.

O complexo reúne ainda uma clínica de reabilitação física, ginásio, salas de tratamento, enfermagem 24 horas por dia, gabinetes médicos e de apoio social, salas de convívio, uma sala de costura, estufa de flores, estacionamento coberto e uma capela.

Na ERPI, das 85 camas disponíveis, 20 estão destinadas a vagas sociais e outras 15 serão reservadas para pessoas que receberam alta hospitalar, mas que aguardam uma resposta social definitiva. Esta solução pretende contribuir para melhorar a articulação com o Serviço Regional de Saúde, evitando o internamento nos hospitais por falta de alternativa social.

Uma resposta para todos

A sustentabilidade da estrutura foi também uma das questões abordadas pelo provedor da Misericórdia do Funchal. O responsável recordou que o Lar de Santa Isabel acolheu, ao longo dos anos, pessoas com pensões muito reduzidas, incluindo casos de idosos com pensões de sobrevivência de cerca de 300 euros. No entanto, explicou que uma resposta com esta dimensão exige uma gestão equilibrada, uma vez que as comparticipações mais baixas não permitem, por si só, garantir todos os custos associados ao serviço prestado.

Por esse motivo, foram criadas vagas sociais apoiadas pelo Estado, ajustadas à situação económica de cada utente, garantindo que também as pessoas com menores rendimentos possam ter acesso a cuidados de qualidade.

As mensalidades para as camas privadas começam nos 1.250 euros, em quartos duplos, enquanto as residências assistidas terão um custo superior a 5.000 euros por apartamento. Estes valores incluem alojamento, alimentação, tratamento de roupa, acompanhamento permanente e utilização das diferentes infraestruturas terapêuticas existentes no complexo.

Apesar de a construção ter sido integralmente financiada pelo PRR, Jorge Spínola destacou que a Santa Casa assumiu um importante esforço financeiro na aquisição de equipamentos, mobiliário, utensílios, fardamento e todo o material necessário para colocar a nova estrutura em funcionamento.

O Complexo Social de Santa Clara representa também um contributo para a criação de emprego, prevendo-se a criação de 40 a 50 postos de trabalho à medida que forem chegando novos residentes.

Os primeiros idosos já começaram a ocupar as novas instalações, incluindo cerca de 26 utentes provenientes temporariamente do Lar de Santa Isabel, enquanto decorrem as obras de remodelação daquele espaço.

As candidaturas continuam abertas através da plataforma da Misericórdia do Funchal. Segundo Jorge Spínola, já existem várias pré-inscrições e algumas situações de maior urgência levaram à admissão de utentes antes mesmo da inauguração oficial do complexo, confirmando a importância desta nova resposta para a população idosa da região.

Fundada em 1508, a Santa Casa da Misericórdia do Funchal é a mais antiga Santa Casa da região e acompanha diariamente perto de 600 pessoas.

Voz das Misericórdias, Luísa Gonçalves

Fotografia MIGUEL MONIZ/GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA