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- Lamego | SAD é resposta digna e de qualidade contra abandono de idosos
A Santa Casa da Misericórdia de Lamego presta atualmente um serviço de apoio domiciliário (SAD) a uma centena de utentes, assumindo-se como a instituição com maior número de beneficiários nesta resposta social na região. Num concelho envelhecido, esta é uma resposta essencial para garantir dignidade, autonomia e proximidade a quem mais precisa.
Para o provedor António Carreira, “o apoio domiciliário é, muitas vezes, a única resposta digna e de qualidade contra o abandono de pessoas”, prevendo, no futuro, “o alargamento da oferta dos serviços prestados”.
De acordo com a diretora técnica do SAD, os serviços dividem-se entre apoio base e serviços extra, definidos de acordo com o plano individual de cuidados de cada utente. Entre os serviços complementares, Marli Pestana destaca apoio psicossocial, confeção de pequenas refeições, transporte, aquisição de bens essenciais, supervisão na toma da medicação e acompanhamento a consultas ou a outros serviços da comunidade.
“Todos os utentes podem usufruir dos serviços extra, desde que a necessidade seja identificada na avaliação inicial ou surja de forma pontual”, refere a diretora do SAD, explicando ainda que a avaliação envolve uma análise funcional das capacidades do utente, bem como uma avaliação social que considera a situação familiar, redes de apoio, condições habitacionais e prioridades de intervenção.
Neste momento, os principais beneficiários são idosos com dependência parcial ou total, pessoas com incapacidade ou saúde debilitada, utentes sem apoio familiar e situações de risco social ou isolamento.
Entre os impactos positivos do SAD, Marli Pestana destaca a “melhoria da qualidade de vida e do bem-estar físico e emocional”, permitindo que os idosos permaneçam nas suas casas pelo maior tempo possível. O serviço contribui também para “reduzir o isolamento social, promover a autonomia e aliviar a sobrecarga familiar”, criando uma rede de apoio formal.
O provedor da Misericórdia de Lamego sublinha que esta resposta social enfrenta “um dos maiores desafios da atualidade na nossa região: o envelhecimento da população e o crescente isolamento da população sénior, muitas vezes com baixos rendimentos e sem acompanhamento familiar diário”.
António Carreira considera mesmo que o SAD é “uma resposta social de futuro” na instituição, razão pela qual foram recentemente reforçados os recursos humanos afetos a esta valência, em colaboração com a Segurança Social. Está ainda prevista a melhoria das instalações de apoio às equipas.
“O nosso objetivo é continuar a prestar um serviço cada vez mais próximo e de qualidade, mas também inovador e sustentável”, afirma. Entre as metas está o alargamento da oferta, nomeadamente no apoio psicossocial domiciliário, para evitar problemas de saúde mental.
Maria Amália Magalhães, de 87 anos, vive com o marido, Arnaldo Santiago, de 91, para quem este serviço, do qual beneficiam há sete anos, é “fundamental”, face às limitações físicas e psicológicas da esposa.
A chegada das auxiliares é descrita como um momento de alegria, marcado por abraços e breves conversas sobre como correu a noite. Seguem-se os cuidados de higiene e o vestir, enquanto o marido prepara o pequeno-almoço. Depois da cama feita, despedem-se até à hora de entregar o almoço.
Noutra casa, Ana Paiva, de 90 anos, e Fernando Fernandes, de 96, vivem com a filha, Maria Fernandes. Desde uma queda sofrida por Ana, há cerca de dois anos, a família recorre diariamente ao SAD. “As minhas limitações não me permitem cuidar deles sozinha”, explica a filha.
Antiga proprietária da ‘Tasquinha do 21’, Ana Paiva recorda com saudade os tempos em que cozinhava para a comunidade. “Era uma cozinheira de mão cheia”, afirma, com orgulho. Sobre as auxiliares, não hesita: “São muito boas. Gosto delas todas”.
Ana Isabel Almeida e Inês Gonçalves são duas das auxiliares que, diariamente, percorrem a área urbana e rural do concelho de Lamego. Dizem exercer a profissão com dedicação, por ser “um trabalho gratificante”.
Todas as manhãs visitam várias casas. Entre os cuidados, procuram “dar o melhor para melhorar a qualidade de vida de cada utente”.
Voz das Misericórdias, Cármina Fonseca