A Misericórdia de Mafra inaugurou a Estrutura Residencial para Pessoas Idosas Nossa Senhora das Dores, no dia 15 de setembro, no âmbito da reconversão do edifício do antigo hospital, financiada em mais de dois milhões de euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A cerimónia contou com a presença da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, do presidente da autarquia, Hugo Moreira Luís, do vice-presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Carlos Andrade, entre outras entidades locais. O patriarca de Lisboa, Rui Valério, presidiu à bênção das instalações, antes do descerramento da placa inaugural pela governante e por um dos utentes mais antigos, Agostinho Manecas.
Na sua intervenção, a ministra deixou o compromisso do governo na celebração de um acordo de cooperação para 48 das 60 vagas do equipamento, viabilizando, desta forma, o seu funcionamento e, ao mesmo tempo, concretizando “a missão do Estado, num investimento feliz de dinheiros públicos para os mais frágeis".
Quanto à abertura da resposta social, adiantou tratar-se de "um procedimento normal sendo que, nos casos de PRR, até é mais rápido porque há dispensa de alguns requisitos". Superado este constrangimento, a nova ERPI cumprirá o desígnio de “ser a casa das pessoas que nela vivem, o que só é possível com boas condições logísticas, mas também porque é dirigida com competência, contando com cuidadores que trabalham de forma carinhosa e altamente competente”, reconheceu.
Finalizando, Palma Ramalho assumiu o voto de confiança nas instituições sociais, que o governo encara, “sem qualquer preconceito, como parceiros privilegiados na proteção social”, impondo apenas como condição: “Que o apoio seja bom e estas instituições fazem-no muito melhor do que o Estado faria diretamente, pela proximidade, otimização e presença no terreno”.
Mais do que um edifício, a nova estrutura representa, segundo o provedor da Misericórdia de Mafra, um “espaço de cuidado, dignidade, segurança e afetos para aqueles que cuidaram de nós e ajudaram a construir a nossa comunidade”. Além disso, acrescentou Joaquim Sardinha, permitirá aumentar a capacidade da instituição de 76 para 136 utentes, ajudando a responder a uma lista de espera de cerca de 150 pessoas. Dirigindo-se à governante, apelou à aprovação célere da candidatura ao PROCOOP, “pois sem isso não é conveniente contratar pessoal e ter as instalações prontas sem estar em funcionamento representa literalmente uma perda”.
Em relação ao investimento, o responsável esclareceu que “a obra lançada por 3,6 milhões de euros acabou por ultrapassar os 4,3 milhões, sendo possível contabilizar um apoio do PRR de 2,2 milhões de euros”. Para o montante em falta, foi necessário “alienar património”.
No seu discurso, o presidente da autarquia, Hugo Moreira Luís, evocou a memória do imóvel onde durante décadas funcionou o antigo hospital e o centro de saúde, sublinhando que a reconversão preserva essa “vocação de cuidado”. Lembrou, por último, que “precisar de cuidados nunca deve significar perder a identidade", sendo por isso necessário percecionar este espaço como uma casa onde “envelhecemos com as nossas relações e memórias".
Na missa em homenagem a Nossa Senhora das Dores, o patriarca de Lisboa enquadrou o momento como uma expressão concreta da “solidariedade, entreajuda e capacidade de responder a quem nos solicita ajuda”. Nesse sentido, sublinhou, a obra pode ser entendida como “abençoada” porque nasce de um compromisso com a dignidade das pessoas.
Na homilia proferida, Rui Valério destacou o papel decisivo das Misericórdias no apoio a quem sofre, sobretudo em contextos de doença, carências económicas e falta de autonomia. “Esta instituição é chamada a ser, para cada irmão, para cada irmã utente, para cada mafrense, esta mesma comunidade que impede que alguém no seu sofrimento esteja só”, sustentou.
Além de entidades locais, Misericórdias do distrito e a comunidade associaram-se à sessão.
Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas