A Misericórdia de Oliveira do Bairro promoveu o segundo congresso dedicado às demências

O Quartel das Artes Dr. Alípio Sol, em Oliveira do Bairro, acolheu no passado dia 23 de setembro o II Congresso “Demência e Agora?!...”. A organização esteve a cargo do Centro Rainha D. Leonor (CRDL), equipamento da Misericórdia de Oliveira do Bairro para intervenção junto de pessoas com demência e seus cuidadores.

Na abertura, a provedora Leontina Novo afirmou que a demência não é apenas uma questão clínica. “É uma realidade que se projeta na vida das pessoas, das famílias e das comunidades, colocando desafios de natureza social, ética, económica e organizacional”. Por isso, continuou, exige uma abordagem integrada, centrada na pessoa, no respeito pela sua dignidade, autonomia e direitos, missão para a qual o conhecimento científico e a inovação assumem um papel determinante.

Contudo, importa “transformar esse conhecimento em práticas concretas, capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas com demência e de apoiar adequadamente as suas famílias e os seus cuidadores” e este congresso, reforçou a provedora, “pretende precisamente contribuir para esse propósito”.

O evento contou com a presença de profissionais de saúde, técnicos, famílias, utentes e cuidadores. Clara Marques Mendes, secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, marcou presença no encerramento, deixando palavras de incentivo e uma promessa de ação em matéria de doença mental.

“Mais respostas de proximidade e mais respostas que tenham em conta a realidade da doença”, referiu, acrescentando que “estamos completamente conscientes da necessidade de fazer mais, temos feito um caminho, mas é verdade que há muito ainda para fazer”.

Clara Marques Mendes garantiu que “estamos cá [Governo] para vos ouvir, para perceber as dificuldades que se sentem no dia a dia e para conseguirmos transformar e dar as respostas adequadas”. Porque, apesar de tudo, reconheceu que “o Estado não fez o trabalho que deveria ter feito para preparar aquilo que nós temos hoje, que é uma população cada vez mais envelhecida”.

“Há décadas que ouvimos falar que o envelhecimento da população ia ser uma realidade. Fomos fazendo aqui e ali, tomámos algumas medidas, mas estruturalmente e pensando bem naquilo que iria ser o país, nós não construímos o que devíamos ter construído”, concluiu.

E agora? A pergunta e algumas respostas chegam pela voz de José Licínio Pimenta, diretor do Centro Distrital de Aveiro da Segurança Social. “Depois do diagnóstico, há sempre um ‘… e agora?’ Para a própria pessoa, para a família, para quem cuida, para os serviços públicos, para as instituições sociais, para os municípios e para a comunidade”, afirmou.

Relevando a importância do debate em torno de todas as temáticas que nortearam este II Congresso, o responsável assumiu que ficou claro que “não existe uma única resposta”. Assumindo que a demência não pode ser vista apenas como uma questão clínica, mas também como uma questão familiar, social e comunitária, Licínio Pimenta defendeu que as respostas devem ser organizadas em torno da pessoa, porque “uma pessoa com demência continua a ser, antes de tudo, uma pessoa com uma história, relações, afetos, preferências e direitos”.

Este congresso da Santa Casa da Misericórdia de Oliveira do Bairro contou ainda com a participação do diretor da Segurança Social, Licínio Pimenta, e do presidente da Câmara Municipal, Duarte Novo.

Voz das Misericórdias, Vera Campos