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- Amieira do Tejo | Antigo hospital abre portas para uma nova vida
Mais de um século depois de ter sido inaugurado para prestar cuidados de saúde à população, o antigo hospital da Misericórdia de Amieira do Tejo voltou a abrir portas à comunidade. O edifício, que no passado acolheu a Casa do Povo e um centro de dia, inicia agora uma nova etapa, procurando conciliar a memória com novas respostas sociais, culturais, educativas e comunitárias.
A reabertura aconteceu no dia 29 de agosto e marcou o arranque do projeto “Ponte de Comunhão - Memória entre o Passado e o Futuro”, através do qual a Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo pretende devolver ao imóvel um lugar ativo na vida da população.
A intervenção, que incluiu a criação de seis apartamentos para seniores com apoio de proximidade, representa um investimento global de cerca de 680 mil euros. As obras ficaram concluídas e foram entregues em 2023, mas a abertura esteve dependente da resolução de vários constrangimentos técnicos, legais e administrativos. Ao longo do último ano, a atual Mesa Administrativa concluiu trabalhos complementares, tratou dos procedimentos necessários ao licenciamento e assegurou equipamentos, energia e infraestruturas de comunicações.
Durante a sessão, o provedor Alberto Correia Alves sublinhou o contributo de antigos dirigentes, órgãos sociais, voluntários e membros da Irmandade. “Este momento reveste-se de um significado muito particular e pertence também a todos aqueles que, ao longo dos anos, contribuíram para a sua concretização”, afirmou.
Inaugurado em 1920, o hospital começou a funcionar com apenas três camas. Depois de ter servido diferentes gerações e acolhido outras respostas, regressa agora à comunidade com uma identidade renovada. É dessa ligação entre tempos e pessoas que nasce a designação “Ponte de Comunhão”.
“Ponte, pois este espaço pretende ligar aquilo que recebemos das gerações anteriores àquilo que desejamos construir para as gerações presentes e futuras. Comunhão, porque desejamos aproximar pessoas, idades, instituições, conhecimentos e experiências”, explicou Alberto Correia Alves.
No piso superior, o espaço fica vocacionado para iniciativas relacionadas com património, história, cultura, tradições e costumes locais, mas também para atividades educativas, formação e momentos de encontro e convívio intergeracional. A primeira iniciativa pública realizou-se logo no dia da reabertura, com o ciclo “Diálogos Interdisciplinares - Da História Regional e Local ao Turismo Histórico”.
No piso inferior estão os seis apartamentos, já concluídos e preparados para utilização. A Misericórdia aguarda agora a confirmação da tutela para marcar a inauguração formal e avançar com a entrada em funcionamento, havendo já uma lista de espera, revelou o provedor.
O futuro do antigo hospital poderá ainda trazer de volta respostas que fizeram parte da sua história. A Misericórdia apresentou à Segurança Social uma proposta para recuperar o centro de dia e está igualmente a preparar um protocolo para instalar uma resposta ligada à saúde. “Iremos voltar a ter saúde no espaço do antigo hospital de Amieira do Tejo”, garantiu Alberto Correia Alves.
Na cerimónia estiveram também Roberto Grilo, vice-presidente da CCDR Alentejo, José Dinis Serra, presidente da Câmara de Nisa, e Mariano Cabaço, diretor do Departamento de Património Cultural da União das Misericórdias Portuguesas.
Voz das Misericórdias, Tiago Silva