No âmbito do programa comemorativo do seu 526.º aniversário, a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos acolheu, no dia 7 de março, uma conferência de Laurinda Abreu, professora catedrática da Universidade de Évora, que permitiu conhecer “O papel das Misericórdias na assistência e na organização local (séculos XVI-XVIII)”.

Perante uma plateia atenta e interessada, numa bem preenchida Igreja da Misericórdia, a investigadora destacou, desde logo, que, “além da assistência, as Misericórdias tiveram um papel absolutamente extraordinário na organização das comunidades”. “As Misericórdias são indiscutivelmente um traço de identidade nacional. Elas fazem parte do nosso património cultural, da nossa memória coletiva, fazem a ligação entre o passado e o presente”, destacou Laurinda Abreu. As Misericórdias surgiram num “contexto de renovação da assistência e da caridade à escala europeia”, num processo que arrancou em 1498, por vontade régia, sendo a Misericórdia de Barcelos “uma das pioneiras deste movimento nacional”. Ao longo dos séculos, as Misericórdias resistiram a crises e transformações diversas, sendo que a sua intervenção se estendeu a áreas distintas. Em linha com isso, na conferência destacou-se precisamente a intervenção das Misericórdias na área da saúde, concretamente a relação com os hospitais, classificando-a como “uma das chaves do sucesso que as Misericórdias vieram a ter em Portugal”.

Valorizando “todo um trabalho arquivístico importante que está a ser feito” e a digitalização em curso, Laurinda Abreu lançou o repto à Misericórdia de Barcelos, desafiando a “estimular o estudo do arquivo histórico, que é muito interessante […] O estudo da documentação parece-me de extrema importância, até porque Barcelos é importante”, como espaço e no estudo comparativo.

A esse propósito, Nuno Reis lembrou as “mais de 50 parcerias com instituições das mais diversas áreas e setores, inclusivamente universidades e politécnicos”. “E estamos certos de que também com a Universidade de Évora haverá possibilidade de estabelecer protocolos ou parcerias, com vista à promoção do conhecimento, que é também uma das missões que abraçamos”, completou, lembrando que, desde 2021, as portas do Arquivo Histórico estão abertas a estudantes e investigadores, bem como à comunidade em geral.

Voz das Misericórdias