Nova unidade representou um investimento de 1,3 milhões de euros e tem capacidade para 30 camas, já praticamente esgotada

Ambição antiga da instituição e da comunidade, a ERPI da Santa Casa da Misericórdia da Batalha é agora um sonho concretizado. A residência sénior, batizada com o nome de Nossa Senhora da Vitória, foi inaugurada no passado dia 5 de junho, após um investimento de 1,6 milhões de euros.

“Esta é uma obra que representa o esforço coletivo de uma comunidade de voluntários e de colaboradores que diariamente se entregam por esta causa com enorme dedicação”, afirmou o provedor, durante a inauguração. Carlos Agostinho sublinhou ainda que esta era uma valência “há muito ambicionada pelos batalhenses”, numa alusão ao facto de na sede do concelho não existir, até agora, nenhuma estrutura do género.

O presidente da Assembleia Geral da irmandade, António Lucas, não tem, por isso, dúvidas de que este é um momento “muito importante para a vida da instituição, mas sobretudo para a comunidade”, com a disponibilização de um equipamento que contribuirá “bastante para melhorar a qualidade de vida” da população, essencialmente de quem que “se encontra numa fase menos independente da sua vida e que muito deu à sociedade”.

A este propósito, Jorge Guarda, vigário-geral da Diocese de Leiria-Fátima, citou o Papa Francisco, quando disse que “onde não há cuidado com os idosos, não há futuro para os jovens”. O sacerdote realçou ainda o papel “imprescindível” das famílias e dos cuidadores, uma função também destacada pela secretária da Estado da Ação Social, Rita da Cunha Mendes.

Durante a sua intervenção, a governante defendeu “uma aposta clara na diferenciação de respostas de promoção da autonomia”, criando condições para manter, o mais possível, as pessoas nas suas habitações. As palavras da secretária de Estado foram ao encontro do desafio lançado pelo provedor que, momentos antes, expressou a disponibilidade da instituição para integrar um projeto piloto das unidades de dia e de promoção da autonomia.

Carlos Agostinho revelou ainda a vontade da irmandade de avançar com uma nova resposta “integrada e permanente” para os cerca de 100 utentes das valências de apoio domiciliário e centro de dia, “com soluções ao nível da saúde, socialização, segurança, comunicação, atividades de vida diária, apoio aos cuidadores informais e uso de tecnologias no domicílio”. O objetivo, explicou, é “acompanhá-los dia e noite nas suas casas, com qualidade de vida”, retardando a institucionalização.

“Não é possível manter a rigidez do modelo atual”, afirmou o provedor que, em relação ao funcionamento da ERPI, destacou o facto de os utentes poderem beneficiar da intervenção da equipa de reabilitação e vigilância do corpo clínico do Centro Hospital Nossa Senhora da Conceição, que funciona ao lado, sendo que os dois edifícios estão ligados fisicamente.

No seu discurso, a secretária de Estado realçou o “arrojo” e a “importância e imponência” da obra, felicitando a Misericórdia por, num dos momentos “mais desafiantes” da nossa história recente, ter conseguido criar “uma nova resposta” e investir com o objetivo de melhorar a inclusão social”.

“Esta é uma obra que representa um passo importante na coesão territorial”, reforçou o presidente da Câmara da Batalha, considerando tratar-se de uma resposta social “fundamental” para o concelho. Sublinhando que a nova valência é resultado de “uma junção de esforços”, que uniu a Misericórdia, o setor financeiro e o município, Paulo Batista Santos deixou o desafio para se começar a pensar na segunda fase, com a ampliação da unidade atual, “já praticamente lotada”.

O provedor reconhece essa necessidade, mas diz que só será possível dar esse passo se a obra for comparticipada, até porque a instituição aguarda ainda resposta à candidatura apresentada para a primeira fase, que contou apenas com um apoio da Câmara (120 mil euros) e um financiamento de 90 mil euros do Centro 2020, para a lavandaria e cozinha.

Com capacidade para 30 camas, a ERPI Nossa Senhora da Vitória dispõe de lavandaria e cozinha, que servem todas as valências da Misericórdia (centro de dia, apoio domiciliário, cuidados continuados e casa-abrigo de emergência).

Ministras assinalam aniversário da RNCCI

Dois dias depois da inauguração da ERPI, a Misericórdia da Batalha recebeu a visita das ministras da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, respetivamente Marta Temido e Ana Mendes Godinho. A iniciativa assinalou o 15º aniversário da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), da qual faz parte o Centro Hospital de Nossa Senhora da Conceição. Na ocasião, e de acordo como o jornal Região de Leiria, a ministra Ana Mendes Godinho realçou a importância de projetos como o da Misericórdia da Batalha para responder “aos desafios demográficos” de Portugal. Por seu lado, Marta Temido destacou o papel da RCCCI, que permite uma “abordagem integrada” a “necessidades que são hoje diferentes daquelas que existiam há alguns anos”. O provedor Carlos Agostinho especificou com o exemplo da unidade da Batalha, onde os utentes beneficiam “das sinergias da existência de uma unidade de radiologia, de uma unidade fisioterapia, terapia ocupacional”, entre outras respostas. “É um projeto com mérito, que já teve o referencial internacional de qualidade da Joint Commition International, um padrão dificílimo”, lembrou o provedor, citado por aquele jornal.

Voz das Misericórdias, Maria Anabela Silva