A Misericórdia de Fátima-Ourém dinamizou uma campanha multimédia nas redes sociais, no final de 2025, onde celebrou a diversidade intercultural da sua equipa. Em dois filmes, a Santa Casa deu voz aos trabalhadores, oriundos de vários países do mundo, com o objetivo de dar a conhecer a diversidade de culturas, línguas e histórias de vida que compõem a Santa Casa. Jozânia Ramos (Brasil), Mamadou Bah (Guiné), Mónica Monteiro (Angola), Dimyreo Hryhorov (Ucrânia), Sónia Silva (França) e Samira Berjane (Marrocos) são alguns destes nomes.
Segundo a diretora técnica, esta iniciativa foi motivada pelo “orgulho na integração feita que permitiu conhecer outras culturas e formas de trabalhar”. Neste momento, adiantou Diana Silva, os trabalhadores estrangeiros já representam 42% do total, com oito nacionalidades (francesa, angolana, marroquina, brasileira, guineense, ucraniana, venezuelana e santomense).
Apesar da barreira linguística e dificuldade na passagem de informação, numa fase inicial, a técnica revela que se “adaptaram bem e são excelentes trabalhadores”. Outra dificuldade sentida é a procura de habitação a custo controlado. “Infelizmente, a maior parte deles está numa situação precária, em quartos alugados, e os refugiados estão em soluções temporárias até conseguirem ser autónomos”. A maioria chegou a Portugal em busca de “melhores condições de vida e de segurança e quatro deles vieram por causa da guerra”.
O aumento da contratação de trabalhadores estrangeiros é um fenómeno recente que tem permitido colmatar a falta de mão de obra nacional. “Nos últimos seis meses recebemos dois currículos de portugueses”, revela. O motivo? “Baixos salários e baixa valorização e, por isso, só quem tem gosto e aptidão é que vem”.
Recorde-se que a Santa Casa da Misericórdia de Fátima-Ourém está entre as mais recentes do país. Foi criada em 2005 e hoje apoia cerca de 150 pessoas por dia.
Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas