Por detrás das portas de uma Misericórdia há muito mais do que serviços e respostas sociais. Há pessoas. São elas que, diariamente, cuidam, acompanham, alimentam, limpam, escutam e garantem o funcionamento da instituição. Para dar visibilidade a estes profissionais, a Santa Casa da Misericórdia de Gáfete lançou uma nova rubrica nas redes sociais.
A iniciativa “As Nossas Pessoas” nasceu da vontade de aproximar a comunidade e reconhecer publicamente o trabalho dos 37 funcionários. “A ideia é dar a conhecer a equipa a quem está lá fora”, explica Carlos Abreu, provedor da instituição, defendendo que “o poder destas casas é termos trabalhadores motivados”.
Com a integração na equipa de uma pessoa dedicada ao marketing, a Misericórdia começou a apresentar, duas vezes por semana, um ou dois profissionais, dando a conhecer os rostos que asseguram o quotidiano da instituição. O projeto, que arrancou em maio, tem recebido uma reação muito positiva. “Eles ficam contentíssimos”, conta o provedor, destacando a forma como os funcionários acompanham e valorizam as publicações dos colegas.
Para quem está diariamente no terreno, aparecer nas redes sociais significa sentir que um trabalho muitas vezes discreto é reconhecido. José Basso, que completou 16 anos na Santa Casa, considera que a iniciativa, para além do reconhecimento, pode ser um “incentivo” para que se “olhe um bocadinho mais para estas casas”.
José Salvador, que se define como um “faz-tudo”, desempenha funções tão diversas como organizar pessoal, apoiar os utentes, acompanhá-los ao médico e tratar da lavandaria ou da alimentação. É essa multiplicidade que, segundo afirma, nem sempre é conhecida por quem está de fora. Contudo, diz sentir-se valorizado dentro da instituição, porque “há olhamento para as pessoas, para o seu valor e para aquilo que podem dar à casa, e que a casa lhes pode dar”.
Também Cristina Apolinário, funcionária há 11 anos, destaca a relação com os idosos como a parte mais gratificante do trabalho. Sobre a rubrica, garante que lhe desperta “um sentimento muito bom”, acrescentando que “é sempre de louvar quando vemos o nosso trabalho reconhecido”.
A valorização dos trabalhadores não se esgota nas redes sociais. A Misericórdia tem procurado melhorar as condições gerais de trabalho através de benefícios e investimentos em equipamentos que tornam menos pesadas as tarefas diárias. “É também uma forma de promovermos o bem-estar dos trabalhadores e de eles se sentirem reconhecidos por aquilo que fazem”, explica Carlos Abreu. A instituição pratica ainda remunerações “acima da tabela” e atribui vales no Natal.
Num setor com dificuldades crescentes na contratação, a valorização de quem trabalha na área social pode ajudar a atrair novos profissionais. “Se conseguirmos dar-lhes visibilidade e valorizá- -los desta forma, achamos que podemos cativar mais pessoas”, considera o provedor.
No fundo, “As Nossas Pessoas” procura mostrar aquilo que muitas vezes permanece escondido atrás das rotinas. Afinal, uma Misericórdia não se faz apenas de valências, serviços ou números, mas dos rostos de quem, todos os dias, lhes dá vida. E, para os próprios trabalhadores, ser visto é também uma forma de sentir que o seu esforço conta. Como resume o provedor, “a nossa ideia é simples: tentar valorizar as pessoas que estão por nós”.
Recorde-se que a Misericórdia de Gáfete apoia cerca de 70 pessoas por dia.
Voz das Misericórdias, Tiago Silva