A Misericórdia de Guimarães viu-se forçada a encerrar a sua unidade de cuidados continuados (UCC). Este será o fim de um ciclo iniciado em fevereiro de 2011, quando esta valência foi inaugurada com 36 camas.

O provedor da instituição, Eduardo Leite, sublinha que o ponto “crítico” se deu em 2024, quando numa análise aprofundada verificou-se que a UCC acumulava um passivo de quase 350 mil euros nos últimos cinco anos. “Embora a UCC represente apenas 13% da capacidade total da Misericórdia, o défice gerado correspondeu a 42% do resultado líquido global da instituição. Qualquer decisão que comprometa a sustentabilidade da Misericórdia afeta diretamente mais de meio milhar de famílias, entre colaboradores e utentes”, sublinha.

Assim, o contrato da Santa Casa com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados não será renovado, já que o financiamento da UCC é inferior aos custos, tornando impossível o equilíbrio financeiro. Trata-se de “uma decisão de responsabilidade e salvaguarda institucional”, reforça.

Apesar do encerramento, Eduardo Leite afirma que “as portas nunca se fecham definitivamente” porque a Misericórdia sabe adaptar-se às necessidades da comunidade”. Quanto ao futuro do espaço, decorrem negociações para a criação de uma nova unidade de saúde. O encerramento da UCC não significará menos apoio, mas sim uma reorganização estratégica para garantir a sustentabilidade e o reforço da missão social da Misericórdia de Guimarães.

Voz das Misericórdias, Alexandre Rocha