A Misericórdia de Arcos de Valdevez tem desenvolvido a sua atividade na área da saúde disponibilizando à população um conjunto de respostas, sociais e de saúde, onde se incluem os cuidados continuados. Atualmente, encontram-se em funcionamento as unidades de longa duração e manutenção, de média duração e reabilitação e de convalescença, concluindo-se neste trimestre a unidade de cuidados paliativos. No seu conjunto a instituição dispõe de 92 camas nas unidades de cuidados continuados a que se juntarão, brevemente, mais dez camas de paliativos.

Este artigo de opinião do provedor da Misericórdia de Arcos de Valdevez e presidente do Conselho Nacional da UMP, Francisco de Araújo, integra a edição de fevereiro do Voz das Misericórdias. Leia aqui também o artigo de opinião de Agostinho Branquinho, Ex-secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social.

Esta trajetória permitiu à Misericórdia consolidar um conjunto de competências (organizacionais, clínicas e técnicas) que possibilitaram estabelecer com a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) um protocolo para a gestão de uma unidade de retaguarda do Hospital de Viana do Castelo. Confrontada com a necessidade de libertar camas hospitalares, designadamente para garantir a libertação do serviço de urgência externa para novos doentes e gerir os doentes com alta clínica, mas que permaneçam, por situação social, em internamento hospitalar, a ULSAM viu na Misericórdia de Arcos de Valdevez o parceiro credível para criar e gerir a unidade de retaguarda do hospital.

Com um protocolo foram estabelecidas as responsabilidades mútuas e definido o modelo de funcionamento e articulação com as equipas hospitalares, em particular com Equipa de Gestão de Camas. A definição de um modelo operacional integrado dos procedimentos da unidade de retaguarda hospitalar (URH) com a dinâmica de funcionamento do hospital, era um ponto crítico que motivou um conjunto de interações para estabilizar procedimentos e a equipa afeta à própria unidade.

Após a definição da tipologia clínica de doentes que seriam conduzidos para a URH, estabilizou-se o quadro de recursos técnicos necessários para o seu bom funcionamento. Com a consensualização do perfil clínico dos doentes que seriam encaminhados para a unidade de retaguarda e dos meios técnicos e humanos com que a mesma deveria estar apetrechada, passou- -se a estabelecer os procedimentos relativos à referenciação dos doentes. Esta competência ficou adstrita à Equipa de Gestão de Camas do Hospital da ULSAM, em Viana do Castelo, tendo sido discutidos os procedimentos a respeitar para a admissão dos utentes na unidade de retaguarda hospitalar.

Definiu-se, igualmente, com a ULSAM os procedimentos a adotar para o período de internamento, assim como o acompanhamento que seria realizado pelo hospital aos doentes internados na URH. Visando uma melhor articulação entre as diversas equipas envolvidas, nomeadamente maior proximidade, fixou-se uma reunião quinzenal para discutir a situação clínica e social dos utentes da URH. A dimensão social revelou-se particularmente relevante, atendendo ao facto de uma percentagem significativa dos doentes não dispor de retaguarda familiar ou autonomia financeira suficiente para se poderem cuidar, o que impõe a necessidade de identificar respostas sociais complementares que assegurem a continuidade dos cuidados.

Este percurso de cooperação com a ULSAM é para continuar e aprofundar, estando já perspetivado o aumento da capacidade da unidade de retaguarda das atuais 16 camas para 36 camas, a concretizar a partir do final do próximo verão. A Misericórdia de Arcos de Valdevez, através das suas unidades de cuidados continuados, onde se integrará brevemente a unidade de cuidados paliativos, e da cooperação estratégica com a ULSAM, na unidade de retaguarda hospitalar, reafirma o seu compromisso com o fortalecimento do SNS, contribuindo de forma efetiva para a qualificação da resposta assistencial e para a melhoria dos cuidados prestados à população.

Este desígnio, pela sua relevância social, humana e institucional, constitui um fator mobilizador para todos os que integram esta instituição.

Voz das Misericórdias