A Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim assinalou o 270.º aniversário sob o lema ‘As tradições e o futuro’, numa celebração que constituiu não apenas um momento de evocação da sua história, mas também uma oportunidade para refletir sobre os desafios que hoje se colocam às Misericórdias e ao setor social.
As comemorações reuniram irmãos, colaboradores, representantes institucionais e da comunidade. Entre os momentos mais marcantes estiveram a homenagem prestada pelo Secretariado Regional do Porto da União das Misericórdias Portuguesas, a distinção dos colaboradores com mais de 25 anos de serviço, uma conferência dedicada à histórica procissão das lanternas e a celebração da eucaristia comemorativa.
Na sessão solene, o provedor Virgílio Ferreira deixou uma mensagem centrada na identidade das Misericórdias e na necessidade de preparar o futuro sem perder de vista os valores que lhes deram origem.
Ao recordar o percurso da Santa Casa, o provedor salientou o papel desempenhado na saúde desde o século XIX, bem como a resposta prestada ao longo de décadas no âmbito social, destacando que “esta presença continua bem viva no apoio domiciliário, nas estruturas residenciais para pessoas idosas, no centro de dia, nos cuidados continuados, na medicina física e no acompanhamento de pessoas com paramiloidose”.
Mas foi sobretudo a reflexão sobre o futuro que marcou a intervenção. Perante a evolução demográfica, a escassez de recursos humanos e a crescente complexidade das respostas sociais, Virgílio Ferreira defendeu que “as Misericórdias terão de continuar a adaptar-se às novas necessidades, apostando simultaneamente na qualificação das respostas, na sustentabilidade financeira e na inovação”.
Nesse contexto, destacou também a importância da integração de trabalhadores estrangeiros, lembrando que a Misericórdia da Póvoa de Varzim conta com 35 profissionais de outras nacionalidades, realidade que considera essencial para assegurar a continuidade da missão social da instituição.
A inovação tecnológica foi igualmente abordada, embora sempre subordinada ao fator humano. Para o provedor, “a inteligência artificial e a robotização poderão contribuir para melhorar a eficiência dos serviços, mas nunca substituirão a empatia, a misericórdia e o carinho”, elementos que considera indispensáveis na prestação de cuidados às pessoas.
Nos últimos anos, a Misericórdia tem vindo a concretizar um amplo processo de modernização, num investimento global de cerca de 6,8 milhões de euros, destinado à requalificação das instalações, melhoria das respostas sociais, reforço da sustentabilidade ambiental e transformação digital. Um esforço que, segundo Virgílio Ferreira, “permitirá consolidar a capacidade de resposta da instituição e preparar uma nova etapa do seu desenvolvimento”.
Entre os projetos apontados para o futuro destaca-se o alargamento da unidade de medicina física, investimento estratégico para responder ao aumento das necessidades de reabilitação e contribuir para a sustentabilidade da instituição.
“A tradição da Misericórdia é cuidar. O futuro é garantir que esse cuidado continua a ser prestado com humanidade, dignidade, segurança e excelência”, sintetizou o provedor.
Voz das Misericórdias, Paulo Sérgio Gonçalves