Natural de Lamego e licenciado em Ciências da Comunicação, aos 47 anos, Ricardo Pereira assume com responsabilidade e paixão o cargo de assessor de imprensa da Misericórdia de Lamego e, em simultâneo, do município local. Este profissional da comunicação divide o seu tempo entre as duas instituições, colocando a sua experiência ao serviço da valorização do passado e da projeção do futuro destas entidades.

O seu percurso na comunicação social teve início na Covilhã, onde foi, durante dois anos, jornalista num jornal regional. Mais tarde, integrou uma prestigiada agência de comunicação nacional, com a qual colaborou durante três anos, servindo grandes clientes, nacionais e internacionais. Ainda assim, a sua ligação à terra natal e o desejo de ajudar a projetar o futuro de “duas instituições tão impactantes na vida dos lamecenses” acabaram por falar mais alto.

A entrada na Misericórdia de Lamego deu-se por convite direto do antigo provedor, António Marques Luís. “Foi inesperado, mas aceitei de imediato”, revela. O atual provedor, António Carreira, manteve-o na equipa, algo que considera “um sinal de confiança e continuidade”. Hoje, sente-se parte da “família” desta instituição com mais de 500 anos de história.

A comunicação no setor social representa, para si, um desafio muito distinto e “verdadeiramente especial”. Ricardo Pereira sublinha que o setor social “é constituído por instituições moldadas por afetos, facto que não tem paralelo, por exemplo, no tecido empresarial e mais institucional, como as autarquias”.

Trabalhar a comunicação de uma instituição social com mais de cinco séculos de existência significa, na sua opinião, “saber respeitar o imenso legado histórico”, mas também transmitir com clareza os valores que orientam a ação diária. “A verdade, a transparência e a responsabilidade são os pilares de uma boa comunicação”, refere.

Um dos projetos que mais o orgulha é a rubrica ‘Rostos da Misericórdia’, lançada, há cerca de um ano, nas redes sociais e no site da instituição. A iniciativa dá voz aos colaboradores que cuidam diariamente dos utentes, prestando homenagem a quem raramente aparece nas fotografias, mas faz toda a diferença. “São heróis anónimos”, com uma experiência e dedicação ímpares.

Num concelho como Lamego, os desafios são acrescidos. “A matéria-prima é boa, mas os recursos continuam escassos. Os custos da comunicação aumentaram, especialmente na produção de conteúdos audiovisuais, hoje centrais na difusão de qualquer mensagem”.

O futuro da comunicação institucional, antevê, passará por uma abordagem cada vez mais imediata e visual. “O público quer acompanhar as atividades que as instituições desenvolvem quase em tempo real”. Ricardo Pereira acredita que o poder da imagem vai continuar a crescer e, com ele, a necessidade de “reforçar a capacidade de construir e difundir boas histórias”.

Com uma visão estratégica e enraizada no território, este profissional da comunicação social mostra que, mais do que divulgar ações, o papel do comunicador é construir pontes, reforçar identidades e tornar visível aquilo que muitas vezes se passa nos bastidores - o cuidado, a dedicação e a solidariedade.

Voz das Misericórdias, Cármina Fonseca