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- Santiago do Cacém | Continuados em risco por dificuldades financeiras
A sustentabilidade financeira das unidades de cuidados continuados é uma das principais preocupações de Fernando Pinheiro, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém. Na recente inauguração das novas instalações sociais e administrativas da instituição, o responsável deixou um alerta para as dificuldades crescentes que ameaçam a capacidade de resposta das Misericórdias, defendendo um reforço do apoio público.
Entre os problemas apontados estão a subocupação da unidade e a falta de recursos humanos, sobretudo enfermeiros e auxiliares, que já levou ao encerramento da Unidade de São João de Deus. Uma realidade que, nas palavras do provedor, penaliza a instituição e exige uma reflexão sobre o funcionamento e o financiamento destas respostas.
“O aumento da contribuição estatal ou apoio extraordinário por utente seria bem-vindo, sob pena de asfixia das Santas Casas”, afirmou Fernando Pinheiro no seu discurso. O responsável chamou ainda a atenção para o aumento dos custos de funcionamento, agravados pela subida dos combustíveis, e para as necessidades de investimento na manutenção dos equipamentos sociais.
O alerta acompanha as preocupações manifestadas pelo setor a nível nacional. Um estudo da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade do Porto, divulgado em outubro, estima que, em 2025, o défice nas unidades de longa duração e manutenção tenha atingido cerca de 180 mil euros por instituição, apontando para a persistência de um financiamento público abaixo dos custos reais da prestação de cuidados.
Em Santiago do Cacém, as dificuldades financeiras cruzam-se com uma procura significativa de respostas sociais. A instituição acompanha atualmente 312 idosos no concelho e tem 357 pessoas em lista de espera, das quais 173 apresentam necessidades consideradas urgentes. Estrutura residencial para pessoas idosas, apoio domiciliário e cuidados continuados estão entre as respostas mais procuradas, num contexto em que as comparticipações da Segurança Social não cobrem, segundo a Misericórdia, os custos reais dos cuidados e muitas famílias enfrentam dificuldades para assegurar a sua parte.
É neste cenário que a Santa Casa procura conciliar as necessidades quotidianas com os investimentos em curso. Um dos projetos mais relevantes é a nova estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI) de Vila Nova de Santo André, com capacidade para 60 utentes, que se encontra na fase final de construção, com conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2027. O equipamento deverá integrar também serviço de apoio domiciliário e centro de dia.
A inauguração das novas instalações sociais e administrativas marcou outro passo na reorganização dos serviços da Misericórdia. O espaço funciona no antigo edifício da Casa do Povo de Santiago do Cacém, recuperado ao abrigo de um contrato de comodato celebrado com a Segurança Social, em abril de 2024.
As novas instalações concentram os serviços de apoio social e a área administrativa, antes dispersos por diferentes edifícios. Ali funciona também a sede do serviço de apoio social, estando a loja social em fase de preparação, com o objetivo de proporcionar “um atendimento mais humano aos utentes que dela carecem”, referiu o provedor.
Voz das Misericórdias, Rosário Silva