Com apenas 25 anos de história, a Santa Casa de Santo António da Lagoa tem em curso novos investimentos. Um deles é uma creche que funcionará 24 horas por dia

É a Misericórdia mais jovem dos Açores e a primeira deste milénio. Com 25 anos, a Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa, na ilha de São Miguel, tem um percurso pautado por conquistas e projetos para o futuro. Foi fundada a 12 de janeiro de 2001, por incentivo do então presidente do município da Lagoa e com Jorge Borges ocupando o cargo de provedor. Nessa primeira mesa administrativa também tomou posse António Borges, como tesoureiro, o atual provedor desta Misericórdia.

“Temos um percurso brilhante”, diz orgulhosamente António Borges. “Ocupamos um espaço que ninguém vai ocupar. O concelho precisava de apoio a nível da infância, da juventude e também dos idosos”.

Com nove valências, esta Santa Casa vai prestar serviço, muito em breve, a mais de 270 utentes por dia: lar de idosos, lar para crianças, cuidados continuados, dois centros de convívio, lar residencial para pessoas com deficiência, centro de atividades e capacitação para a inclusão (CACI), centro de atividades de tempos livres (ATL) e o centro de atividades e lazer. Para além de todas estas valências, a Misericórdia também distribui cabazes do Banco Alimentar, assim como lanches para vários ATL do concelho.

Dentro de um mês, o provedor prevê “inaugurar um CACI e um lar residencial para pessoas com deficiência, com capacidade para 48 utentes”. Um investimento no âmbito do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), no valor de 5,7 milhões de euros.

O concelho da Lagoa é jovem e a cidade conhecida na região como um centro de tecnologia e inovação, o que tem vindo a atrair cada vez mais habitantes. Por isso, a instituição decidiu investir nos mais pequenos e nas suas famílias através de um projeto classificado pelo provedor como “inovador”: uma creche a funcionar 24 horas por dia.

“A ideia surgiu dos nossos próprios colaboradores (como é o caso dos enfermeiros, que trabalham por turnos) e até de pais que vêm falar connosco.” Por isso mesmo, para António Borges, é chegada a hora de avançar, pensando nos “pais que fazem turnos. Muita gente tem essa necessidade”.

A aquisição do terreno já foi feita e, inclusive, tem um chalé que vai ser requalificado para 48 crianças. “O primeiro passo está dado”, afirma António Borges, satisfeito por ser este um espaço com muito terreno envolvente, onde podem ser construídos outros edifícios para mais projetos. Nesta fase, segundo conta o provedor, o projeto está a ser elaborado e a expectativa é “dar o arranque da obra em 2027”.

Com um futuro promissor, a Misericórdia de Santo António da Lagoa tem atualmente 96 colaboradores, mas depois de inaugurados o CACI e o lar para pessoas com deficiência, vai atingir um total de 140. Um recrutamento que ainda está a acontecer e que contou com mais de 400 candidaturas para 42 lugares. António Borges não tem dúvidas de que são os “recursos humanos a nossa maior riqueza e é a eles que devemos o nosso sucesso”.

Depois desta fase virão outras, promete António Borges, que demonstra vontade em começar dois projetos brevemente: a creche 24 horas por dia e o aumento de mais 20 camas destinadas a cuidados continuados.

Atualmente, a Misericórdia de Santo António da Lagoa acompanha cerca de 160 pessoas por dia.

Voz das Misericórdias, Linda Luz