O patriarca de Lisboa, Rui Valério, destacou a “missão insubstituível das Misericórdias” numa conferência proferida, a 9 de julho, na última reunião de Secretariado Regional de Lisboa da União das Misericórdias Portuguesas (UMP). A reflexão intitulada “A Doutrina Social da Igreja e a missão das Misericórdias” (ver página 15) foi apresentada diante de representantes das Misericórdias do distrito de Lisboa e do vice-presidente da UMP, Carlos Andrade.
Na sua intervenção, o patriarca centrou a reflexão na encíclica Magnifica humanitas, alertando para o perigo de um paradigma assente apenas na eficiência. “Uma instituição pode ser altamente eficiente e profundamente desumana”, advertiu.
Num contexto de profundas transformações tecnológicas, descrito como a revolução da inteligência artificial (IA), Rui Valério destacou a “missão insubstituível das Misericórdias” enquanto “testemunhas institucionais da misericórdia de Deus”.
Entre os principais riscos associados à IA, o patriarca deu como exemplos o aumento de “formas impessoais de atendimento, a vigilância, transformar a pessoa num conjunto de dados, substituir relações humanas indispensáveis ou excluir aqueles que não dominam as ferramentas digitais”.
Mas há também vantagens associadas a uma utilização consciente: “Pode ajudar uma Misericórdia a organizar recursos, melhorar processos, prever necessidades, facilitar a comunicação, apoiar diagnósticos, libertar trabalhadores de tarefas repetitivas e permitir uma utilização mais responsável dos meios”.
A reunião ficou ainda marcada por uma apresentação da Santa Casa anfitriã, pela partilha de informações da UMP e pelas intervenções de várias Misericórdias presentes, terminando num jantar de confraternização.
Rui Valério encerrou a sua intervenção deixando uma mensagem: “Aceitemos, com coragem e esperança, a missão de sermos guardiões e construtores de uma humanidade verdadeiramente magnífica”.
Voz das Misericórdias, Ana Cargaleiro de Freitas