1974 e 1975. Tempos de liberdade. Um pouco por todo o país, homens e mulheres começam a ingressar no mercado de trabalho e Vagos não foi exceção. Contudo, famílias com filhos pequenos enfrentavam uma dura realidade: onde deixar as crianças? Nem sempre havia avós ou familiares disponíveis para assumirem essa missão de cuidar dos “gaiatos”. Não existiam creches nem infantários.
Mas, em Vagos, um pequeno grupo de mulheres fez a diferença: Lucília e Maria Alcina, presentes na cerimónia, Amândia e Arcelina, já falecidas. Com elas nasceu aquela que seria, um ano mais tarde, a resposta de infantário/creche da Misericórdia de Vagos. Em 2026, ano que assinala o 50.º aniversário da Misericórdia vaguense, foi-lhes prestada uma homenagem, com a presença das crianças de 1975.
Além disso, a Santa Casa quis igualmente prestar uma homenagem aos fundadores e beneméritos e, por isso, inaugurou um memorial junto à sua entrada principal, para que todos sintam e conheçam a importância que estas pessoas tiveram e ainda têm na história da instituição. Para o provedor, Paulo Gravato, trata-se de “património imaterial da Misericórdia, porque eles são responsáveis pela grandeza da nossa instituição”.
A poucos meses de deixar o seu cargo de provedor, Paulo Gravato, que mereceu rasgados elogios de todos os seus pares, deixou uma mensagem de ação: “Em cada dia fazermos do presente o futuro em que acreditamos”.
Consciente de que o setor social enfrenta um dos períodos mais difíceis e desafiantes da sua história recente, o provedor lembrou que a instituição sente, diariamente, os efeitos da inflação e da instabilidade energética. “A Misericórdia de Vagos tem feito o seu caminho. Otimizámos processos, contivemos despesas, procurámos parcerias e temos sido resilientes. Mas a resiliência tem limites institucionais e humanos. Não podemos fechar portas, não podemos desligar o aquecimento a quem tem frio e não podemos reduzir as porções de quem tem fome. O nosso compromisso é com a dignidade humana e com a prática das obras de misericórdia”, frisou.
No mesmo dia, foram apresentadas as novas instalações da Misericórdia, financiadas com apoio do PARES 3.0. Óscar Gaspar, presidente da Assembleia Geral da Misericórdia de Vagos, aproveitou a ocasião para refletir sobre a importância dos recursos humanos. “Podemos ter boas instalações, bons equipamentos e até bons projetos. Mas uma instituição social vale, em primeiro lugar, pela qualidade humana e profissional daqueles que aqui trabalham”, disse o responsável, deixando o seu reconhecimento também aos colaboradores da Santa Casa.
“É devido hoje e sempre o nosso reconhecimento. E esta cerimónia também existe para dizer uma palavra muito simples, mas que nunca deve deixar de ser dita aos beneméritos: obrigado. Obrigado àqueles que decidiram partilhar uma parte daquilo que são e que têm com a sua comunidade. Porque esta generosidade de tantos e tantos, de Vagos e de fora de Vagos, transforma aquilo que é um ato individual num bem coletivo”, concluiu.
A sessão contou ainda com Licínio Pimenta, diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Aveiro, Rui Cruz, presidente da Câmara Municipal de Vagos, e Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, entre outras entidades e representantes de Misericórdias do distrito de Aveiro.
Os desafios da longevidade marcaram as intervenções. Manuel de Lemos apelou a novos modelos de apoio domiciliário e novas respostas para “dar vida aos anos”. Uma ideia partilhada por Óscar Gaspar, para quem a longevidade representa um enorme desafio coletivo.
Voz das Misericórdias, Vera Campos