Com “grande capacidade cognitiva”, Antónia não fala e tem problemas motores, que a obrigam a andar de cadeira de rodas e lhe afetam a motricidade das mãos. “Ela escolhe as cores e nós colocamos-lhe a caneta entre os dedos indicador e médio e vamos ajustando a folha [de papel]”, revela Maria Serrano, que trabalha diariamente com a utente, testemunhando a sua paixão pela pintura.
Segundo a técnica, a ideia de transformar em exposição os trabalhos realizados no âmbito das atividades que desenvolve com a utente nasceu no final do último ano letivo, quando estava a arquivar os desenhos. “Pareceu-me que mereciam mais do que ficar fechados numa gaveta”, conta Maria Serrano.
“São obras que merecem ser apreciadas. Saíram destes trabalhos muitos afetos, sentimentos, emoções e carinho. É também esse o espírito do Centro João Paulo II, uma casa que toca o coração de todos”, disse o padre Simão Pedro, representante da congregação dos Missionários da Consolata, durante a inauguração. Ao lado, Antónia Neves ouvia as intervenções com um sorriso no rosto, expressando a alegria que sentia.
Voz das Misericórdias, Maria Anabela Silva