O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) assegurou um reforço das camas para utentes com alta clínica dos hospitais em maio, na sequência do anúncio de criação de 400 vagas transitórias pelo Governo, em janeiro. Em entrevista à Rádio Observador, Manuel de Lemos considerou que a resposta ao “tsunami” do envelhecimento vai levar “alguns anos a corrigir", exigindo uma "articulação clara, forte, do Estado com os parceiros sociais".

Comentando o último Barómetro dos Internamentos Sociais, o presidente da UMP alertou que o tsunami “chegou à praia” e a oferta na rede de lares e cuidados continuados é insuficiente para responder ao problema. Em causa está o aumento de 19% dos internamentos sociais em março de 2026, relativamente a 2025, ocupando 2807 camas, ou seja, 13,9% das vagas do Serviço Nacional de Saúde, numa despesa superior a 350 milhões de euros.

Segundo Manuel de Lemos os motivos são vários: “uma rede de lares deficiente”, um modelo de apoio domiciliário que “só funciona para quem tem alguma retaguarda familiar” e um PRR que falhou “redondamente” nos cuidados continuados, a pagar “menos de metade do custo de uma cama”.

Em relação ao atraso na ocupação das 400 camas anunciadas em janeiro, o presidente do Secretariado Nacional da UMP esclareceu, ainda à Rádio Observador, que estes “processos demoram tempo” e envolvem desde o levantamento da disponibilidade, às candidaturas e assinatura de acordos com as instituições.

Voz das Misericórdias