O Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de sensibilização para as demências, no início de julho, com o objetivo de aumentar a literacia da população, promover o reconhecimento precoce e reduzir o estigma associado a estas doenças. A iniciativa, divulgada em plataformas digitais e meios de comunicação, integra a Estratégia para as Demências e da Reforma da Saúde Mental, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

De acordo com Manuel Caldas de Almeida, coordenador do Plano Nacional de Saúde em Demências (PNSD), a campanha de âmbito nacional visa “reforçar a construção de uma sociedade mais informada, inclusiva e capacitada para responder aos desafios colocados pelas demências, promovendo a prevenção, o diagnóstico atempado, a humanização dos cuidados e a proteção dos direitos das pessoas com demência”, referiu em comunicado.

Num contexto marcado pelo envelhecimento da população e prevalência das demências, esta iniciativa “reafirma o compromisso do Ministério da Saúde com a promoção da literacia em saúde, o reconhecimento precoce dos sintomas e o combate ao estigma”, lê-se em nota.

Numa primeira fase, que decorre em julho com o mote "A demência pode esconder-se atrás da vida", a campanha alerta para sintomas que “podem esconder alterações cognitivas e justificam avaliação clínica, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce”. Entre os sinais identificados, incluem-se a perda de memória, falhas na linguagem, dificuldades nas tarefas diárias, desorientação e alterações emocionais que não sendo necessariamente sinónimo de doença, devem ser avaliados caso “persistam ou interfiram com a vida diária”.

Numa segunda fase, desenvolvida ao longo do mês de agosto, a campanha incidirá na pessoa que vive com demência (doentes e familiares) promovendo, segundo nota, “uma visão mais humana, inclusiva e digna de quem vive com demência”.

A campanha conta ainda com testemunhos em vídeo de profissionais de saúde, numa linguagem acessível, que sensibilizam para a importância da atividade física e estilo de vida saudável, alertam para possíveis sintomas e explicam o que são perturbações neurocognitivas.

No âmbito do Plano Nacional da Saúde para as Demências, encontra-se ainda a decorrer uma ação de formação online, destinada a profissionais de saúde, desenvolvida em parceria com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS). Com a duração de 25 horas, este curso visa a integração de cuidados, entre diversos níveis assistenciais (primários, hospitalares, continuados e equipamentos sociais), garantindo um acompanhamento mais eficiente, humanizado e sustentável para as pessoas com demência e seus cuidadores.

As inscrições estão disponíveis online até ao dia 15 de dezembro de 2026 no site da Academia SPMS.