O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) revelou hoje, no Parlamento, que já estão em funcionamento mais de 150 camas de unidades intermédias, das 400 anunciadas, no início do ano, para libertar camas dos hospitais ocupadas com internamentos sociais. Manuel de Lemos foi ouvido na comissão parlamentar da Saúde, numa audição sobre o agravamento dos internamentos sociais, a pedido do Partido Socialista (PS).

“No início desta semana estavam a funcionar 160, neste momento há várias camas a ser protocoladas com o Instituto da Segurança Social e em breve devemos aproximar-nos das 400”, esclareceu, recomendando ao governo celeridade no processo para as Misericórdias não desmobilizarem. “Não podemos deixar mal os nossos idosos, os nossos pais e avós”, afirmou.

De acordo com o presidente do Secretariado Nacional da UMP a “situação é grave e complexa e deve ser analisada com ponderação porque em dois meses não se resolve um problema com 20 anos”, considerando que a resposta a este “desígnio nacional é responsabilidade de todos e exige uma posição coletiva de apoio ao envelhecimento”.

Neste âmbito, anunciou aos deputados que vai propor, no 15º Congresso Nacional das Misericórdias, “fazer um movimento cívico no sentido de olharmos para o envelhecimento”.

O problema não é de agora, conforme sublinhou, e a principal causa é a “falta de investimento, nos últimos anos, em lares e cuidados e continuados”, deixando ainda críticas ao Plano de Recuperação e Resiliência pelo desajuste das verbas em relação à realidade.

No arranque da sessão, a deputada socialista Irene Costa lançou o mote dizendo que é “importante ouvir quem está no terreno e conhece as dificuldades das pessoas”. Considerou, ainda, que os números do 10º Barómetro de Internamentos Sociais, divulgado em abril, são “preocupantes” e revelam um “problema estrutural que causa enorme sobrecarga no sistema”.

Reveja a audiência no canal do Parlamento.