Entre abraços e fotografias para a posteridade, ouviram-se palavras de gratidão e elogios sinceros: “vim de propósito por si”, “foi o Padre Vítor que me ensinou tudo isto”. A cada novo rosto que surgia, o homenageado reagia com satisfação: “Isto são só surpresas hoje”.
A sessão foi inaugurada por Manuel de Lemos, presidente da UMP, que enalteceu o "trabalho fabuloso" de Vítor Melícias ao serviço das Misericórdias. “Se estamos aqui hoje é porque temos uma ideia de misericórdia e uma ideia do que as misericórdias podem fazer. E quem nos deu essa identidade e natureza foi o Padre Vítor Melícias”, reconheceu.
O momento foi assinalado com um louvor público, em nome do Secretariado Nacional da UMP, e com a entrega de uma imagem de Santo António, da autoria das Irmãs Flores (figurado de Estremoz), ao homenageado.
Visivelmente comovido, Vítor Melícias reconheceu o simbolismo do “frade, irmão do povo” e partilhou esta homenagem com todos os homens e mulheres que, ao longo dos últimos 50 anos, projetaram as Misericórdias, através de um "ideal de humanismo universalista". Destacou, em particular, o papel dos fundadores da União, para quem pediu um minuto de silêncio, mas deixou também uma palavra de “estimulo para os que vão projetá-la no futuro”.
Na sua intervenção, o presidente honorário da UMP reafirmou ainda a matriz identitária das Misericórdias, defendendo que estas instituições “não são do Estado nem da Igreja, são uma emanação do povo, em absoluta cooperação com o Estado, mas nunca de submissão”.
Amiga de longa data, Maria de Belém Roseira, presidente da assembleia geral da Associação Mutualista do Montepio, confessou a sua admiração pelo homenageado, num discurso onde enalteceu a sua “abertura à modernidade, vastíssima cultura e capacidade de argumentação, alegria na forma como conduziu a sua vida, capacidade de compreensão dos dramas humanos, desapego dos bens materiais e coragem na defesa da missão e autonomia das Misericórdias”.
Na sua intervenção, a antiga ministra da Saúde destacou ainda aspetos centrais da recente encíclica 'Magnifica humanitas', do Papa Leão XIV, dedicada à inteligência artificial (IA), classificando-a como um documento “maravilhoso”, que alerta para uma “mudança de era”.
Lembrando que a “gratidão é a memória do coração”, Maria de Belém Roseira agradeceu, no final, em nome de todos os presentes: “Muito obrigada, Padre Vítor Melícias”.