Ação de voluntariado promovida pela Fundação Eugénio de Almeida assinala os 11 anos da loja social da Santa Casa da Misericórdia de Évora

No armazém da loja social DAR+, da Santa Casa da Misericórdia de Évora, há sacos por abrir, roupas empilhadas e um movimento constante de mãos que se estendem para ajudar. Entre elas estão as de Rita Chambel, 18 anos, aluna da Escola Profissional da Região Alentejo (EPRAL), que, juntamente com colegas e professores, decidiu dedicar parte do seu dia a uma tarefa simples, mas essencial: organizar, separar e dar destino a bens que chegam em grande quantidade.

“Estar aqui significa ajudar e eu não tinha noção que havia tanto trabalho por trás da distribuição de roupa”, conta. A experiência está a revelar-se, diz, uma descoberta. “É muito interessante perceber tudo o que está por trás da montagem desta iniciativa.”

A jovem reconhece que nem sempre encontra tempo para o voluntariado, mas não hesita em sublinhar a sua importância, sobretudo entre os mais novos. “Acho que é muito importante nós, jovens, sermos sensibilizados para esta atividade e para a necessidade de reutilizar, numa altura em que existe muito consumismo”, afirma.

Como Rita, são cerca de três dezenas de alunos que, neste dia, se juntam a outros voluntários mobilizados pela Fundação Eugénio de Almeida para dar resposta a uma necessidade concreta da Misericórdia de Évora: organizar o armazém da loja social, que, ao fim de 11 anos de atividade, regista um volume crescente de doações.

De acordo com Joana Nunes Silva, responsável pelo programa de gestão do voluntariado da Santa Casa, a resposta tem vindo a crescer, o que coloca novos desafios à sua capacidade. “Gostaríamos de alargar os períodos de funcionamento para conseguirmos dar resposta a mais pessoas”, afirma.

Em 2025, esta loja social apoiou pessoas de 21 nacionalidades diferentes, num total de cerca de 36 mil doações anuais, sendo atualmente predominante a procura por parte de população imigrante.

A retirada recente de contentores de recolha de roupa na cidade contribuiu para o aumento do volume de doações recebidas diretamente na instituição. “A Misericórdia tornou-se uma referência e é aqui que vem parar a maioria das coisas”, explica a responsável, sublinhando a pressão acrescida sobre equipas e voluntários.

“Há muito trabalho na triagem, organização e atendimento, e nem sempre conseguimos dar resposta a tudo”, admite, destacando o papel essencial dos voluntários no funcionamento desta resposta social.

Para Pedro Oliveira, presidente do Conselho Executivo da FEA, o voluntariado constitui um dos eixos centrais da intervenção social da instituição, estruturado em três dimensões: sensibilização, formação e ação.

“A sensibilização, sobretudo junto dos mais jovens, é fundamental para contrariar a tendência de diminuição do número de voluntários”, afirma, referindo que a FEA trabalha atualmente com cerca de 750 voluntários e colabora com perto de 60 instituições da região de Évora.

No âmbito do Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável (2026), o responsável sublinha que estas iniciativas representam um contributo concreto para a comunidade. “As instituições recebem muitas doações e nem sempre têm capacidade para as tratar. O voluntariado pode fazer a diferença”, refere.

Esta ação insere-se neste esforço, permitindo reforçar a organização dos bens doados e contribuir para uma resposta mais eficaz às necessidades identificadas.

Voz das Misericórdias, Rosário Silva